
Na entrada das cataratas, Larissa vende capa desde os quinze anos e conhece a névoa de cor. Rafaela chega com o celular na mão e nenhuma capa.
âDez reaisâ, diz Larissa. âA Ășltima passarela vai molhar todo mundo.â âMolha quanto?â, pergunta ela. âMolha tudo. AtĂ© o celular na mĂŁo.â âEstĂĄ fazendo sol, Ă© sorte minhaâ, insiste Rafaela, e segue sem comprar nada.
Ela nĂŁo se arrepende nos primeiros mirantes. SĂŁo fĂĄceis: a grade seca e a nĂ©voa longe. A queda bate de lado na Ășltima passarela. Tudo vira uma poça sĂł.
âMeu celular desligouâ, ela diz depois, com a roupa colada no corpo. âDez reaisâ, repete Larissa, sĂ©ria. âEu sei. Agora dez reais Ă© barato: me dĂĄ duas.â âA segunda salva o celularâ, avisa Larissa, e cobra vinte.
Da segunda vez Rafaela para no meio da passarela, de capa e sem dĂșvida, com paciĂȘncia diante da queda. AtrĂĄs dela, Larissa passa vendendo mais capas.
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