
Ăs cinco da tarde a fila de clientes dobra na esquina e ninguĂ©m senta: a refeição Ă© de pĂ©. Neide, uma vendedora da calçada, trabalha entre duas panelas. O cheiro de camarĂŁo seco chega antes.
âUma cuia?â, pergunta Neide. âUma. Com pimenta.â âA senhora nunca tomou tacacĂĄ, nĂ©?â A sopa sai quente e amarga, com goma, jambu e nada de açĂșcar. âBebe devagar. NĂŁo sobra maisâ, avisa Neide.
Rafaela toma em pé e o vapor esquenta o rosto dela. No terceiro gole o låbio para de sentir e a boca começa a formigar. Ela olha para baixo com susto, e ninguém na fila reclama nem estranha.
âIsso acontece sempre?â, pergunta ela. âĂ o jambu. Passa em dez minutosâ, responde Neide. âVerdade?â âVerdade. A pimenta Ă© tempero; o jambu nĂŁo.â
O caldo Ă© grosso e forte, e continua gostoso de um jeito difĂcil de explicar. âĂ a melhor da rua, com histĂłria e tudoâ, diz a mulher do lado. Quando ela acaba, Neide jĂĄ estĂĄ enchendo a segunda cuia.
Read on the go
Digital Polyglot is also an app for iPhone and Android, with the same library and your progress synced.
Get the app