
Ăs cinco da tarde a fila de clientes dobra na esquina e ninguĂ©m senta: a refeição Ă© de pĂ©. Neide, uma vendedora da calçada, trabalha entre duas panelas. O cheiro de camarĂŁo seco chega antes.
âUma cuia?â, pergunta Neide. âUma. Com pimenta.â âA senhora nunca tomou tacacĂĄ, nĂ©?â A sopa sai quente e amarga, com goma, jambu e nada de açĂșcar. âBebe devagar. NĂŁo sobra maisâ, avisa Neide.
Rafaela toma em pé e o vapor esquenta o rosto dela. No terceiro gole o låbio para de sentir e a boca começa a formigar. Ela olha para baixo com susto, e ninguém na fila reclama nem estranha.