
O quarto alugado tinha uma lĂąmpada sĂł, no teto. A cortina era fina, o tapete nĂŁo chegava atĂ© a cama, e o quarto ficava cada vez mais gelado. Ăs seis, Renata desceu atĂ© a lavanderia.
Neuza serviu chĂĄ numa caneca quente. âDesculpa a pergunta, mas como Ă© que vocĂȘs vivem com esse frio?â, disse Renata. âA gente veste tudo o que tem, em vez de reclamarâ, respondeu Neuza, como se fosse uma receita. âSuĂ©ter grosso por cima e cobertor por baixo.â
Renata perguntou se ela morava ali havia muito tempo. âNasci nesta rua e moro aqui desde que me caseiâ, disse Neuza, olhando a janela com ternura. âJĂĄ pensei em ir embora, mas aqui eu reconheço cada casa.â