
Uma ladeira irregular dobra a esquina e separa a pousada do centro. Rafaela chega de tĂĄxi e olha a rocha antiga do chĂŁo. Na esquina espera Vera, que sobe bagagem de turista num carrinho de feira.
âDez reais atĂ© lĂĄ em cimaâ, oferece Vera. âQuanto custa subir com a mala?â, pergunta Rafaela. âCusta o mesmo. Ali em cima Ă© que dĂłi.â âEu puxo a minha.â âPuxa. O conselho Ă© grĂĄtis: nĂŁo Ă© força, Ă© jeito.â
Rafaela arrasta a mala até a metade da subida, com a mão no corrimão de ferro. As rodas param em cada pedra da ladeira e o coração bate forte enquanto o suor escorre na nuca dela.
Uma roda solta um barulho curto. âEspera!â, chama Vera, sem raiva. âAgora sĂŁo quinze.â âQuinze por quĂȘ?â âPorque a mala pesada nĂŁo aguenta a pedra, e o plĂĄstico jĂĄ quebrou.â Vera carrega a mala no carrinho e vence o resto.
LĂĄ em cima, na entrada da pousada, a porta velha nĂŁo tem campainha. âBate palmasâ, diz Vera, e Rafaela bate.