
Uma ladeira irregular dobra a esquina e separa a pousada do centro. Rafaela chega de táxi e olha a rocha antiga do chão. Na esquina espera Vera, que sobe bagagem de turista num carrinho de feira.
“Dez reais até lá em cima”, oferece Vera. “Quanto custa subir com a mala?”, pergunta Rafaela. “Custa o mesmo. Ali em cima é que dói.” “Eu puxo a minha.” “Puxa. O conselho é grátis: não é força, é jeito.”
Rafaela arrasta a mala até a metade da subida, com a mão no corrimão de ferro. As rodas param em cada pedra da ladeira e o coração bate forte enquanto o suor escorre na nuca dela.