
Gilson queria entrar na universidade, e o vestibular era na sexta, mas não contou a ninguém. Renata descobriu por acaso, na biblioteca, quando ele fechou o caderno råpido demais.
âVocĂȘ estuda pra quĂȘ?â, perguntou ela. âPra Letras, professoraâ, respondeu ele, inseguro. Renata perguntou se ele queria ensinar idioma, e ele fez que sim.
Ăs seis a biblioteca fechou e a escada ficou escura. Ensaiaram ali a prova oral: ela inventava perguntas, ele respondia. Se ele esquecesse uma palavra, ela esperava. âDevagar, que eu ouço tudoâ, dizia.
âFalar eu jĂĄ falo. Escrever certo, sem errar, Ă© outra coisaâ, disse ele. âNĂŁo sei se vale a pena arriscar.â âVale, simâ, respondeu Renata. âVocĂȘ aprendeu esta escola inteira sozinho e merece essa chance.â
Na sexta, ele cumprimentou a turma de longe e sumiu na ladeira. Renata gostaria de saber o resultado, mas conhecia o rapaz: tinha esperança e confiança. Escreveu o nome dele e a data, e deixou a linha aberta.
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