
Às quatro ainda havia estrelas no céu, e a lua estava baixa. Renata chegou à porta emocionada, disposta a enfrentar a lagoa: Damião já esperava, com a canoa pronta para navegar.
“Hoje sai”, disse ele. “Combinei com o rio.” Entre as dunas havia uma planta pequena. “Isso aqui seca em maio”, contou Damião. “Ultimamente, só vento e, de vez em quando, um turista.” “E você fica?”, perguntou ela. “Fico”, respondeu ele. “Pesco na nascente do rio.”
A lagoa era gigante e rasa. Renata nadou dez metros e ficou de pé na água, com segurança. Ela saltou uma vez, como se ninguém estivesse olhando. Não eram férias nem feriado: era uma quarta-feira qualquer.