
Renata, uma professora de Porto Alegre, chegou cedo à escola do Pelourinho: lousa, cadeiras e nenhum livro. Segundo o diretor, a caixa chegaria na segunda, mas não chegou. A sala cheirava a giz.
Gilson, um rapaz que trabalhava ali como zelador, varria o chão. “A senhora vai dar aula assim mesmo?”, perguntou ele. “Vou tentar”, respondeu Renata, envergonhada. “Escrevendo tudo na lousa, fica mais claro.”
Gilson desenhou uma letra enorme com giz. “Assim a turma do fundo enxerga”, explicou, mostrando um detalhe que ela não viu. “Eu varro lá de trás e sei o que eles não leem.” Renata prestou atenção e repetiu.