
O ingresso da mina custa trinta reais e dĂĄ capacete e lanterna. Quem entra com ela Ă© Dorival, um mineiro que trabalhou vinte anos ali dentro. A fila entra devagar, de lanterna acesa.
âA senhora vem ver ouro?â, pergunta Dorival. âNĂŁo tem?â âTem o buraco. O ouro acabou antes do meu avĂŽ nascer.â O tĂșnel Ă© estreito e obriga a andar curvado.
âCuidado com a cabeçaâ, avisa ele. O ar Ă© Ășmido e cheira a terra molhada. A lanterna acha um trilho de ferro no chĂŁo. âIsso levava o quĂȘ?â âCarrinho de pedra. Puxado por corrente e por gente.â
Um morcego passa perto do capacete e some na escuridĂŁo. âE o brilho na parede?â, pergunta Rafaela. âĂgua. Ouro nĂŁo brilha assimâ, responde Dorival, e mostra onde cavavam, sem conversa.
NinguĂ©m tirava mais que alguns gramas por dia, e muita gente se machucava. âO senhor cavou aqui?â âCavei. Meu pai tambĂ©m.â Rafaela sai com o capacete na mĂŁo e olha o morro.
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