
Às onze da noite chega o apagão e a pousada inteira fica na escuridão. O ventilador do quarto para devagar, com um barulho ruim. Rafaela desce até a recepção e não encontra ninguém.
Na varanda estão quase todos os hóspedes, com uma vela e um leque de papel. “Cai sempre assim?”, pergunta Rafaela. “Nesta época, quase toda semana”, responde uma hóspede. “A tomada do meu quarto nem funciona.”
“E lá dentro, alguém consegue dormir?” “Abafado”, diz a mesma hóspede. “Daqui a senhora sente o mofo da parede.” O vizinho de quarto avisa que subir agora é pior, e a conversa na varanda demora até a madrugada.