
Rafaela, uma moça de SĂŁo Paulo, chega em Manaus e passa um mĂȘs com o irmĂŁo. Matheus mora ali hĂĄ oito anos e leva turistas rio acima. O barco de linha sai do porto Ă s seis.
âTem cabine no barco?â, pergunta ela. âTem redeâ, responde Matheus. âAmarra ali, entre aqueles dois.â O convĂ©s estĂĄ cheio de redes em fila, e ele amarra a dele em dois minutos.
Rafaela demora quinze. A rede Ă© macia, mas fica baixa demais para o vizinho de trĂĄs, que avisa da rede dele. âMais alta. SenĂŁo vocĂȘ acorda com um pĂ© no rosto.â âE como Ă© que se dorme assim?â, pergunta ela. âDĂĄ. Levanta um lado e experimentaâ, diz o vizinho.
âAssim?â âAssim. Agora aproveita.â Ela amarra de outro jeito e dorme. Ăs dez alguĂ©m apaga tudo. O convĂ©s inteiro balança junto, em silĂȘncio.
De madrugada o motor muda de som e ninguĂ©m acorda, sĂł ela. No porto, alguĂ©m aponta a rede dela. âEsse lugar estĂĄ livre?â âEstĂĄ ocupadaâ, responde Rafaela, sem pensar.
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