
O arroz grudou na panela mesmo assim. Normalmente, dizia Edilson, quem cozinhasse nĂŁo lavaria. Por isso Renata nĂŁo lavou nada, jĂĄ que a ideia era dele, e sobrou comida requentada.
Na geladeira, ela esvaziou um pote velho e escorreu o macarrĂŁo de ontem. âIsso ainda serve?â, perguntou Edilson da porta. âServe. O cogumelo tambĂ©m. O milho eu separo para depoisâ, respondeu ela.
Ela cortou a cenoura, jogou por cima da alface e regou tudo com vinagre. De tarde, o ar ficou abafado e ninguĂ©m encostou na panela. âVocĂȘ vai lavarâ, disse Edilson Ă noite. âNĂŁo vouâ, respondeu Renata. âQuem cozinha nĂŁo lava. VocĂȘ mesmo disse isso ontem.â
âNinguĂ©m cozinhava aqui, lembra?â, riu ele, sem ficar ofendido. âE agora alguĂ©m cozinhou. Portanto, a regra vale para os dois.â Ăs onze, Renata desceu por ĂĄgua e encontrou Edilson na pia, limpando com ĂĄgua quente a gordura derretida da panela. âAmanhĂŁ Ă© minha vez de cozinharâ, disse ele, com respeito.