
A caminhonete sai da fazenda com uma hora de sobra. Selma, a mesma guia do rio, dirige e conhece a terra toda de cor. A porteira ainda fica longe: três quilômetros. O carro para: a estrada está ocupada pela boiada.
“Quanto tempo isso leva?”, pergunta Rafaela. “Acontece sempre. Depende do gado”, responde Selma, e desliga o motor, de bom humor. A poeira entra no carro e cobre o espelho. Cheira a gado.
Um peão a cavalo passa com o chapéu baixo. “Ele não pode abrir a cerca?”, pergunta ela. “Pode. Mas aí o gado some no mato”, responde Selma.