
Quinze minutos de subida por uma duna alta, e a tĂĄbua pesa a cada passo. Rafaela chega no topo, senta na areia e olha a descida. Dois meninos esperam a vez deles ao lado.
âPor que eu desço tĂŁo devagar que dĂĄ vergonha?â, pergunta ela. âPrĂĄtica. Depois fica fĂĄcilâ, responde um dos meninos. âVem depois da gente.â Um sai voando duna abaixo e some lĂĄ embaixo.
Ela desce de novo. A tĂĄbua gruda no meio da duna e para sozinha, sem aguentar o peso dela. âAquilo Ă© teimosoâ, pensa em silĂȘncio na quarta tentativa, que acaba igual. âPrĂĄticaâ, repete, sem acreditar.
Na quinta descida um dos meninos vira a tĂĄbua dela e olha por baixo. âCadĂȘ a cera?â, pergunta o menino. âQue cera?â âSem cera a tĂĄbua gruda. Ă barato, e ninguĂ©m te avisou na loja?â
âNinguĂ©mâ, diz Rafaela. âEntĂŁo leva um susto agoraâ, ri o menino, e empresta a cera dele. A cera derrete na mĂŁo e ele ensina a passar de ponta a ponta. A descida seguinte demora quatro segundos.
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