
Ăs cinco e meia, Juliana e LetĂcia estĂŁo no banheiro do salĂŁo. LetĂcia usa o vestido branco, pronta; Juliana, o marsala e os cachos soltos, como a noiva escolheu. Isabela bate.
âDois minutosâ, avisa Isabela. âCincoâ, pede LetĂcia. Juliana olha o espelho e diz a frase de quatro meses: âEu nĂŁo queria esse casamento. NĂŁo Ă© ele. Sou eu. Eu nĂŁo quero ficar sozinha quando vocĂȘ casar.â
O silĂȘncio acaba quando LetĂcia ri. âEu seiâ, conta ela. âDesde a canjica. Eu sĂł esperei vocĂȘ dizer.â Juliana chora e ri ao mesmo tempo, sem sujar o vestido.
âE o aluguel?â, pergunta Juliana. âVocĂȘ resolve tudo. E vocĂȘ nĂŁo me perdeâ, responde LetĂcia. âEu almoço aĂ todo domingo, sempre, com bolo.â Isabela bate de novo: âUm minuto.â
Elas abrem a porta de mãos dadas, e todo mundo levanta. A noiva entra atrasada, com a madrinha de cacho ao lado, contente. Até Isabela esquece o horårio.
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