
Em Gramado fazia frio de verdade. Renata chegou com roupa de praia, e a jaqueta dela era fina. Tudo na mala estava molhado por causa de uma goteira.
Neuza cuidava da lavanderia da esquina e puxou assunto logo. As peças nĂŁo secariam antes do dia seguinte, e ela pendurou tudo numa vara. âA senhora vai vestir o quĂȘ hoje?â, perguntou.
Renata não tinha resposta: trouxe duas camisetas e uma saia. Neuza levou uma caixa marrom para o balcão, com um suéter, um cachecol e uma luva sem par.
âGente esquece e nĂŁo volta. Faz trĂȘs invernos que isso estĂĄ aquiâ, explicou Neuza. âQuanto custa?â, perguntou Renata. âNada, minha filha. Pode levar, mesmo que o dono apareça um dia. A gente dĂĄ um jeitoâ, respondeu Neuza.
No banheiro dos fundos, Renata despiu a roupa de praia. âVem tomar um chĂĄ depois das seisâ, convidou Neuza, com carinho. Ă noite, as duas batiam papo, e, graças a Neuza, Renata nĂŁo passou frio.