
Cada meia hora sai um ĂŽnibus de linha da rodoviĂĄria atĂ© a fronteira, a vinte quilĂŽmetros. Rafaela senta na poltrona da frente, com o passaporte na mĂŁo. âO senhor para na aduana?â, pergunta ao motorista.
âNinguĂ©m para. Atravessar direto virou costumeâ, responde ele. âMas eu preciso do carimbo.â âPrecisa por quĂȘ? NinguĂ©m pede carimbo aqui.â âTodo mundo quer umâ, ela diz, sem convencer ninguĂ©m.
Ela nĂŁo tem uma resposta boa. Quer o carimbo do mesmo jeito que quis a foto da primeira semana: para provar que esteve ali. Na ponte, o ĂŽnibus atravessa devagar entre carros dos dois paĂses.