
Na casa coletiva de Jericoacoara, a cozinha era compartilhada por todo mundo. A pia estava cheia e os garfos, sujos. Renata morava ali havia uma semana e, embora estivesse cansada, queria cozinhar.
Das quatro bocas do fogão, só uma funcionava. Edilson vendia peixe na peixaria da esquina e geralmente lavava os pratos de todo mundo. “A pia não é minha”, disse ele. “Eu lavo por hábito, não por obrigação.”
Renata pegou a esponja, ajudou e perguntou se havia alguma regra na casa. “Quem cozinha não lava”, respondeu Edilson. “Mas ninguém cozinha, ou seja, ninguém lava. Faz três dias que essa pia está assim.”