
A lancha sai da fazenda no amanhecer desta época, com o rio tranquilo. Quem leva o barco é Selma, uma guia que trabalha no rio desde menina. Rafaela senta na popa com o colete e o sol quente nas costas.
âOs jacarĂ©s ficaram para trĂĄsâ, diz Selma. âQue jacarĂ©s?â, pergunta Rafaela. âUns oito, na margem. Parados.â Ela olha para trĂĄs com atenção e nĂŁo vĂȘ nada.
Dez minutos depois vĂȘ o primeiro e nĂŁo vĂȘ outra coisa. âAquilo Ă© um pedaço de pau ou um bicho?â âĂ bicho. E aquele tambĂ©mâ, responde a guia. O animal fica parado no barro. Parece de mentira.
Uma capivara come e uma garça espera na margem. âSĂŁo espertos?â, pergunta ela. âSĂŁo. E estĂŁo vivos, que Ă© o que importaâ, diz Selma. âTem onça aqui?â âTem. Ver Ă© outra coisa.â
Na volta um jacarĂ© entra na ĂĄgua ao lado da lancha e o coração dela para. Ela sĂł vĂȘ o rabo, e uma arara passa gritando.