
Na escada da igreja a pedra-sabĂŁo Ă© famosa e custa quinze reais. Solange, uma senhora gentil do lugar, abre a banca desde os dezoito anos. Trabalha de avental cinza, com o pĂł branco cobrindo o degrau. A pedra Ă© fria na mĂŁo.
âEssa pedra-sabĂŁo Ă© de verdade?â, pergunta Rafaela. âĂ. Mas nĂŁo Ă© duraâ, responde Solange. âToda pedra Ă© dura!â Solange pega um canivete. Corta a base da peça sem responder mais.
A lasca escorrega no avental. âCortou igual sabonete.â âIgual, como se fosse sabĂŁo. Por isso a gente faz panela com elaâ, diz Solange. A pedra parece dura, mas Ă© macia, quase mole, e deixa pĂł nos dedos.
âQuanto sai a panela?â, pergunta ela. âQuarenta, sem desconto. A vela sai dez.â âFaz a prova da unhaâ, insiste Solange, com paciĂȘncia. Rafaela passa a unha na base e deixa um risco branco.
âViu?â âVi. E nĂŁo consigo acreditar ainda.â Solange acerta a beirada com uma lixa fina. Embrulha a peça no jornal do dia e o total dĂĄ cinquenta.
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