
Juliana rega ao meio-dia, com o sol em cima. Os brotos aparecem em uma semana, pequenos e verdes. No terceiro dia, eles caem para o lado, moles.
NatĂĄlia desce com um regador velho. âRega sĂł de noiteâ, avisa ela. âDe dia a ĂĄgua ferve na terra. VocĂȘ estĂĄ cozinhando as plantas.â Juliana quase ri, mas os brotos estĂŁo no chĂŁo.
âE o sol?â, pergunta Juliana. âCobre a terra com folha secaâ, explica NatĂĄlia, e mostra. Elas regam no escuro, trĂȘs tardes seguidas. LetĂcia chega cada dia mais tarde e nĂŁo vĂȘ.
Na terceira tarde, NatĂĄlia senta. âAs plantas lĂĄ de cima nĂŁo sĂŁo minhasâ, conta ela. âMeu marido plantou tudo. Ele foi embora em março. As plantas ficaram, e eu fiquei com elas.â
Juliana olha para cima. Ela entende: a varanda de cima nĂŁo Ă© um jardim. Ă o que ficou. Ela rega de noite, e demora.
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