
Renata desceu Ă s seis e percebeu: o caderno ficou na poltrona. Nenhum transporte ia atĂ© a garagem, e o ĂŽnibus para Bonito saĂa Ă s nove.
Correu atĂ© a esquina e achou um homem numa moto. âQuanto custa atĂ© a garagem?â, perguntou. âDepende da pressaâ, respondeu ele. âDa senhora ou minha?â E apontou a garupa.
Na rua larga, o vento batia na cara. Freou na porta em sete minutos. âFoi baratoâ, disse ela. âFoi curtoâ, respondeu ele.
Dois homens descarregavam e carregavam malas. âO de Campo Grande, das seis, jĂĄ limparam?â, perguntou Renata. âĂ o terceiro da filaâ, respondeu um deles. Ela entrou no primeiro por engano e saiu frustrada.
âAqui estĂĄâ, disse ela no terceiro: o caderno estava justamente na poltrona, perto da plataforma de desembarque. Se nĂŁo estivesse ali, perderia dois meses de anotaçÔes.
âValeu mesmoâ, disse ao da moto, e pagou o dobro: alcançou o de Bonito por pouco. âNĂŁo vale o dobroâ, respondeu ele. âHoje valeâ, disse ela, orgulhosa. âEstava tudo aqui dentro.â