
No fim da tarde a praça enche devagar e alguém bate um tambor sozinho. Rafaela chega cansada do ateliê e senta num caixote. A sombrinha de frevo é famosa: o dono da banca aluga uma por cinco reais, mas não empresta.
“Essa está torta”, reclama Rafaela. “Está. As tortas dançam melhor”, responde ele. “Tem outra?” “Tenho. A outra é reta e já está alugada.” Ele abre a sombrinha: as varetas são desiguais e a cor está gasta pelo sol.
“Carnaval não é em fevereiro?”, pergunta ela. “É. Mas o ensaio da banda não espera tanto.” A música começa lenta e o círculo se abre entre os meninos da banda.